
Startup brasileira trackfy expande negócios em óleo e gás após ser incorporada por empresa saudita
02/02/2026
O ano de 2026 começou com novas perspectivas para a startup brasileira Trackfy. A companhia foi incorporada pela saudita WakeCap no ano passado e agora mira a expansão de seus negócios tanto no Brasil quanto no Oriente Médio e no Norte da África. Em entrevista ao Petronotícias, o CEO da startup, Túlio Cerviño, explica que a incorporação uniu competências complementares das duas empresas. De um lado, a WakeCap é reconhecida por suas soluções de monitoramento e controle voltadas ao setor de construção; de outro, a Trackfy atua com soluções digitais voltadas à segurança e à gestão de pessoas durante as etapas de operação e manutenção. “Para 2026, no mercado internacional, vamos expandir a atuação da WakeCap, que já era forte em construção, para a área de operação e manutenção. Já no Brasil, o foco inicial é consolidar a presença no mercado nacional e avançar para a América Latina”, detalhou Cerviño. Ao olhar para o setor de óleo e gás, o executivo afirma que a startup identifica oportunidades de crescimento, especialmente após a incorporação, que ampliou significativamente sua capacidade de operação e atendimento. “Antes, nossa implantação nos clientes dependia de conexões de energia e de uma infraestrutura robusta por parte da empresa contratante. Agora, conseguimos realizar a instalação em questão de dias, exigindo muito menos infraestrutura. Isso nos permite avançar para projetos de maior escala no Brasil”, explicou.
Para começar, seria interessante fazer um balanço geral sobre o ano de 2025. Foi um período muito importante para a história da companhia, especialmente com a entrada da WakeCap. Como aconteceu essa aproximação?
Hassan Albalawi, fundador e CEO da WakeCap e Túlio Cerviño, CEO e fundador da Trackfy
A motivação por trás desse deal é muito interessante. Resumidamente, a WakeCap é reconhecida globalmente por suas soluções de monitoramento e controle de canteiros de obras complexas. A empresa desejava expandir sua atuação para além da etapa de construção, entrando em operação e manutenção, e enxergou na Trackfy a tecnologia necessária para avançar nesse movimento.
De um lado, a WakeCap possui equipamentos de captação proprietários muito mais desenvolvidos, enquanto a Trackfy dispõe de software de gestão e inteligência de dados avançado para a operação e manutenção. Então, foi uma união de forças. Agora, cobrimos o ciclo de vida inteiro de um projeto e unimos nossas bases de dados, o que gera um aprendizado enorme.
Para a Trackfy, isso trouxe uma capacidade de atendimento muito maior, com equipamentos superiores e um portfólio ampliado.
Falando de futuro, quais são os próximos passos após essa incorporação?
Mesmo antes do deal, 2025 já era um ano de grande crescimento em número de clientes e capacidade de atendimento. Fomos eleitos uma das 100 startups mais promissoras do país e subimos muito no ranking da 100 Open Startups, ficando no Top 2 da categoria IOT. Isso demonstra nossa força no mercado.
Para 2026, no mercado internacional, vamos expandir a atuação da WakeCap, que já era forte em construção, para a área de operação e manutenção. Já no Brasil, o foco inicial é consolidar a presença no mercado nacional e expandir para a América Latina. Em um segundo momento, olharemos para a América do Norte, onde a WakeCap já possui alguns clientes, mas onde entraremos com mais força após essa consolidação.
Queremos aproveitar que agora somos a plataforma com a maior base de dados e inteligência para segurança e produtividade na construção e indústria. Queremos consolidar a Trackfy e a WakeCap como as maiores autoridades em gestão digital de atividades de campo em todo o ciclo de vida: construção, operação e manutenção.
Poderia detalhar o portfólio atual da empresa no Brasil, tanto para construção quanto para operação e indústria?
A Trackfy começou sua jornada realizando a gestão digital de campo, captando dados de pessoas em ambientes industriais. Hoje, dentro do nosso portfólio, chamamos isso de Trabalhador Conectado ou EPI Digital. Além disso, estamos apostando muito em integrações. Temos parcerias para integrar diferentes bases de dados de captação. Além disso, no portfólio global, incluímos prevenção de colisão (interação homem-máquina) e inteligência artificial via câmeras.
Outra novidade é que agora operamos centrais de comando para o cliente, se ele desejar. Antes, apenas entregávamos a solução tecnológica; agora, podemos colocar nossa equipe para operar esses centros, integrando dados de veículos, câmeras e planejamento. Também estamos lançando este ano o Connected Harness para monitorar situações de risco em altura. Nossa intenção é ser a plataforma total de gestão digital do campo, seja com portfólio próprio ou integrando soluções existentes.
Olhando especificamente para o setor de Oil & Gas, como está a atuação da empresa nesse segmento?
Este é um dos setores de maior tração para a Trackfy no momento. Atualmente, vemos uma tração muito forte no mercado onshore no Brasil. É onde pretendemos crescer mais. A maior contratante do país no setor está investindo pesado em segurança por meio da digitalização. Enquanto isso, o mercado offshore deve seguir o mesmo caminho em breve. Portanto, 2026 será um ano de grandes oportunidades em Oil & Gas por ser um setor extremamente crítico, de alto risco e que recebe muitos investimentos. O uso de dados para melhorar a segurança e o bem-estar dos trabalhadores faz todo o sentido nesse contexto.
Sem dar números específicos, posso dizer que é o setor de maior expansão no Brasil e também na Arábia Saudita. A Saudi Aramco é nossa maior cliente hoje. Temos mais de 15 unidades de atendimento simultâneas operando somente na Aramco.
Como será o foco da estratégia de crescimento neste ano?
Em 2026, nosso foco estará na região MENA (Oriente Médio e Norte da África) e no Brasil. Vamos aumentar nosso atendimento na Arábia Saudita aproveitando a base que já existe e alcançando unidades que a WakeCap não atendia anteriormente. Como eles focavam apenas em construção, agora abrimos um leque enorme de mercado para o ciclo de operação. No exterior, o objetivo é levar nossa tecnologia para todo o ciclo de vida das plantas (operação e manutenção). Aqui no Brasil, continuamos com a nossa tese original, mas agora com uma capacidade de operação e atendimento muito superior.
O que essa “capacidade superior” significa na prática para o dia a dia da operação?
Vou ilustrar com números. Antigamente, nossa implantação nos clientes dependia de conexões de energia e de uma infraestrutura robusta por parte da empresa contratante. Isso levava, em média, um mês de instalação. Agora, conseguimos realizar a instalação em questão de dias, exigindo muito menos infraestrutura.
Isso nos permite partir para projetos muito maiores no Brasil. Para você ter uma ideia da escala — e eu não posso citar nomes por questões contratuais —, nós assinamos recentemente um único negócio que, sozinho, já é maior do que o nosso faturamento de todo o ano passado. É esse tipo de expansão e capacidade técnica que estamos trazendo para o mercado brasileiro em 2026, enquanto no exterior o foco é consolidar os contratos de operação e manutenção.
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