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Parar custa caro: uma parceria que aposta em IA e IoT para reduzir prejuízos em manutenções industriais

16/07/2025

MXPLAN e Trackfy unem forças para digitalizar a gestão de paradas técnicas; perdas com inatividade podem chegar a milhões por dia em grandes plantas

Parar uma linha de produção por algumas horas pode custar milhões. Em setores como siderurgia, papel e celulose, mineração e óleo e gás, as paradas técnicas programadas — ou não — representam um dos maiores desafios operacionais e financeiros da indústria brasileira.

Para enfrentar esse gargalo, a MXPLAN, empresa com mais de 25 anos de atuação em engenharia e manutenção, anunciou uma parceria estratégica com a Trackfy, startup especializada em monitoramento em tempo real e inteligência de dados.

A proposta é clara: usar tecnologias como Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial (IA) para transformar a gestão de paradas industriais, reduzindo custos, aumentando a previsibilidade e melhorando a segurança das operações. “O mundo mudou e a tecnologia precisa estar integrada ao planejamento para garantir decisões rápidas e precisas”, afirma Bruno Cesar Vasconcellos, CEO da MXPLAN.

 

O custo invisível das paradas

Segundo estimativas do setor, uma parada técnica mal planejada pode gerar perdas de R$ 1 milhão a R$ 5 milhões por dia, dependendo do porte da planta e da complexidade da operação [1]. Além disso, dados da ABDI indicam que até 30% dos custos operacionais podem ser reduzidos com o uso de tecnologias digitais aplicadas à manutenção industrial [1].

Apesar dos avanços, muitas empresas ainda enfrentam baixa visibilidade sobre suas equipes, falhas de comunicação e dificuldade em correlacionar dados operacionais, o que compromete a eficiência e a segurança.

 

 

O que muda com a nova parceria

A integração entre os sistemas da MXPLAN e da Trackfy promete entregar:

  • Monitoramento em tempo real da execução das atividades e da presença das equipes no campo;
  • Análise preditiva de dados, com identificação de gargalos e otimização de recursos;
  • Segurança reforçada, com funcionalidades como botão de pânico e rastreamento por zonas;
  • Tomada de decisão baseada em dados, com dashboards que mostram em tempo real o status da operação.

“Imagine ter, na palma da mão, um painel que mostra onde estão os times, como estão os processos e onde há atrasos. Isso muda tudo”, destaca Vasconcellos.

 

Eficiência e segurança como prioridade

A parceria também reforça a cultura de segurança nas operações. Para Tulio Cerviño, CEO da Trackfy, a tecnologia deve ir além da produtividade: “Ela precisa cuidar das pessoas. Nosso sistema garante que as equipes estejam seguras, permitindo um ambiente de trabalho mais protegido e humano.”

Em grandes paradas, que envolvem milhares de trabalhadores e centenas de fornecedores, a capacidade de segmentar e monitorar por área, recurso ou empresa é um diferencial competitivo. A expectativa é que a solução possa reduzir o tempo de inatividade em até 50% e os custos de manutenção em até 20%, segundo benchmarks internacionais.

GZM conversou com Bruno Cesar Vasconcellos, CEO da MX PLAN, e Tulio Cerviño, CEO da Trackfy para entender melhor a equação e os detalhes por trás dessa união. Confira: 

 

GZM: A gestão de paradas sempre foi um gargalo crítico para a indústria. Como a parceria entre MXPLAN e Trackfy transforma esse cenário na prática e o que diferencia essa solução das abordagens convencionais?

R: A transformação se dá pela integração entre know-how técnico consolidado e tecnologia de ponta. A MXPLAN, com mais de três décadas de atuação na gestão de Paradas de Manutenção, identifica com precisão os principais fatores que impactam o sucesso dessas operações — sendo a gestão de mão de obra um dos pontos mais críticos.

É nesse contexto que a parceria com a Trackfy agrega valor de forma diferenciada. Por meio de soluções IoT e Inteligência Artificial, é possível monitorar em tempo real a movimentação e a produtividade das equipes, correlacionando dados de campo com indicadores estratégicos em dashboards dinâmicos e confiáveis.

Ao contrário das abordagens convencionais, que dependem de relatórios manuais e decisões reativas, essa solução proporciona visibilidade instantânea, permitindo ações corretivas de curto prazo e promovendo uma gestão mais assertiva, segura e orientada por dados.

Tradicionalmente, uma parada de manutenção era quase um “salto no escuro”. A MXPLAN trouxe décadas de expertise em planejamento, e a Trackfy adicionou a peça que faltava: tecnologia para visibilidade e capacidade de interpretação tempo real do que está acontecendo no campo. Juntas, transformamos a gestão de paradas em uma operação inteligente, dinâmica e mensurável. Deixamos de apenas planejar para também enxergar e adaptar — na hora certa, com os dados certos. Essa combinação de experiência e tecnologia redefine o padrão do setor, substituindo achismos por precisão e controle.

A união entre a robustez da MXPLAN e a inteligência em tempo real da Trackfy cria uma nova era na gestão de paradas. Trocamos planilhas por previsibilidade, decisões lentas por agilidade, e riscos por segurança. Diferente das abordagens convencionais, agora as indústrias enxergam o que antes era invisível — em tempo real.

 

GZM: Quais foram os principais desafios enfrentados pelas equipes na integração da tecnologia de monitoramento em tempo real com os sistemas de planejamento já utilizados nas indústrias?

R: O principal desafio enfrentado foi, sem dúvida, a barreira cultural presente em muitas indústrias. A resistência à inovação ainda é significativa, especialmente entre gestores que se baseiam em práticas consolidadas sob a lógica do “sempre foi assim”. Essa postura dificulta a adoção de soluções tecnológicas mesmo quando elas já demonstraram eficácia e retorno comprovado.

Assim como Bruno mencionou, o maior desafio foi cultural, não técnico. Mostrar que tecnologia não substitui o planejamento, mas o potencializa, além de mudar a cabeça tradicional do “sempre foi assim”. Adicionalmente Integrar inovação sem paralisar processos sempre é desafiador.

Do ponto de vista técnico, a integração entre os sistemas de planejamento existentes e a tecnologia de monitoramento em tempo real foi bastante fluida. Isso se deve, em grande parte, à existência de um denominador comum entre as ferramentas: o controle por homem-hora (hh), um indicador-chave tanto para o planejamento quanto para o monitoramento operacional.

A interface entre a API da Trackfy e os relatórios estruturados da MXPLAN foi implementada em um curto espaço de tempo, resultado da elevada capacitação técnica das equipes envolvidas e da familiaridade de ambas as empresas com ambientes digitais e soluções baseadas em dados. Essa sinergia foi essencial para garantir uma integração funcional, segura e com aderência às exigências operacionais da indústria.

 

GZM: Além da redução de custos e aumento de produtividade, como essa nova abordagem contribui para criar um ambiente de trabalho mais seguro e com menor risco de acidentes?

R: A contribuição para a segurança operacional vai muito além da simples digitalização de processos. A MXPLAN já possui expertise consolidada na conversão de cronogramas de Paradas de Manutenção em Curvas de Risco, uma prática que permite antecipar cenários críticos e adotar estratégias preventivas de forma estruturada.

Com a integração da tecnologia Trackfy, essa abordagem foi significativamente aprimorada. Agora, os principais riscos operacionais são não apenas identificados ao longo do cronograma, mas também monitorados em tempo real por meio de mapas de calor que indicam as áreas com maior concentração de atividades, aglomeração de equipes ou potenciais desvios de segurança.

Esse monitoramento dinâmico permite uma atuação imediata das equipes de HSE, mitigando riscos antes que se materializem em incidentes. Trata-se de um avanço significativo na gestão de Segurança do Trabalho, alinhado às melhores práticas de cultura preventiva e ao conceito de Parada Segura, com uso intensivo de dados e inteligência operacional.

Durante muito tempo, a segurança nas indústrias foi tratada de forma reativa — baseada em históricos, relatórios e, muitas vezes, na intuição de líderes experientes. Mas o jogo mudou. Em operações onde o tempo é tão valioso quanto a vida, não dá mais para esperar o problema acontecer para então reagir. A parceria entre Trackfy e MXPLAN introduz uma nova lógica: segurança baseada em dados vivos.

Com o monitoramento em tempo real, conseguimos identificar situações críticas no exato momento em que elas surgem. Sabemos onde cada colaborador está, por quanto tempo, sob quais condições — e o sistema nos alerta sempre que há risco. Desde a entrada indevida em áreas perigosas até a permanência prolongada em zonas críticas, tudo é rastreado com precisão e em conformidade com a LGPD e leis trabalhistas. Isso nos permite agir de forma preventiva e personalizada, protegendo cada pessoa como ela merece ser protegida.

Os resultados não demoram a aparecer. Em uma das plantas onde atuamos, conseguimos reduzir em 50% o tempo de evacuação em emergências e economizar 1,5% no custo anual com seguros — apenas com base em dados e ação rápida. A tecnologia, aqui, não serve apenas para medir performance, mas para preservar a vida e o bem-estar das pessoas. E é aí que mora a verdadeira inovação.

 

GZM: O monitoramento em tempo real e os dashboards inteligentes são apontados como diferenciais. Que tipo de decisões estratégicas se tornam possíveis graças a esses dados instantâneos e qual o impacto disso em grandes operações industriais?

R: Como já afirmava o estatístico W. Edwards Deming: “Em Deus confiamos; todos os outros devem trazer dados”. Essa premissa é central para a tomada de decisões em ambientes industriais de alta complexidade. Com o monitoramento em tempo real e os dashboards inteligentes, torna-se possível realizar uma alocação dinâmica e estratégica da força de trabalho (homem-hora), direcionando recursos humanos para as frentes mais críticas com base em dados objetivos de avanço físico, atrasos e desvios operacionais.

Essa visibilidade instantânea permite ações corretivas com agilidade, reduzindo gargalos e evitando o acúmulo de atividades em zonas de risco ou baixa produtividade. Em grandes operações industriais, o impacto é expressivo: há ganho em eficiência, maior aderência ao cronograma e, sobretudo, um aumento significativo na previsibilidade e no controle do ambiente de execução. Trata-se de uma evolução de paradigmas — da gestão reativa para a gestão orientada por dados.

Com dashboards inteligentes, as decisões passam a ser proativas, mais rápidas e muito mais embasadas do que eram anteriormente. Imagine um gestor de parada que, ao invés de esperar um relatório, acompanha ao vivo onde estão os atrasos, os gargalos e os desvios do plano original. Isso permite decisões quase cirúrgicas, reduzindo desperdícios e aumentando a produtividade antes mesmos dos atrasos aparecerem. Em grandes operações industriais, esta nova capacidade já resultou em economias milionárias e ganhos de performance nunca antes alcançados. O tempo deixou de ser apenas um cronômetro e passou a ser uma variável sob controle — e isso muda completamente o jogo.

 

GZM: Em um cenário de digitalização acelerada, como vocês enxergam a evolução futura da gestão de paradas — e quais tecnologias emergentes podem se somar a esse ecossistema de inovação já em desenvolvimento?

R: Acreditamos que a próxima fronteira da gestão de Paradas de Manutenção está na integração plena entre modelos digitais (BIM) e ferramentas de planejamento e controle operacional. Com a crescente digitalização dos ativos industriais, especialmente nas plantas que já possuem suas instalações modeladas em 3D, o uso de tecnologias BIM permitirá uma visualização mais precisa, colaborativa e contextualizada das intervenções.

Nesse sentido, a MXPLAN e a Trackfy já estão à frente desse movimento, desenvolvendo uma nova abordagem de gerenciamento que incorpora o uso do Autodesk Navisworks, uma plataforma que possibilita a navegação e simulação de modelos tridimensionais integrados ao planejamento executivo. A interface do Navisworks já permite a comunicação direta com ferramentas consolidadas como o Primavera P6 e o Microsoft Project, potencializando o controle do avanço físico, a mitigação de interferências e a coordenação entre disciplinas.

Essa convergência entre BIM, planejamento e monitoramento em tempo real cria um ecossistema de gestão inteligente, onde decisões são tomadas com base em modelos integrados, visualização espacial e dados operacionais, promovendo maior eficiência, segurança e previsibilidade em Paradas de alta complexidade.

O futuro da gestão de paradas industriais não é apenas digital. Ele é inteligente, sensível e humano. E é exatamente isso que estamos construindo com a Trackfy e a parceria com a MX Plan: uma combinação de tecnologias que entende que eficiência não é só uma planilha bonita e tentativas de melhorias com pouco embasamento — é gente voltando pra casa com segurança, é uma parada ou operação que não perde tempo com o que pode ser antecipado e otimizado, é uma liderança que decide com base em fatos e não em achismos.

A parceria com a MXPLAN mostra o caminho: um ecossistema onde IoT, planejamento, dados em tempo real, IA e decisões operacionais humanas coexistem para criar um novo padrão de excelência. Mas nós vamos além. Imaginamos um futuro em que cada parada industrial é orquestrada como uma operação de precisão máxima. Onde a previsibilidade não é luxo, mas padrão.

Onde a segurança deixa de ser um indicador e se torna cultura. Onde o chão da fábrica, o container de gestão avançada, a planta industrial e o alto nível corporativo da empresa operam e interagem em conjunto e em tempo real, como organismos vivos — com inteligência distribuída, decisões rápidas e embasadas e foco nas pessoas.

Esse não é um futuro distante. Esse é o sonho que estamos realizando, junto com empresas que ousam transformar o setor, como a MX Plan, e nós já estamos vendo esta transformação acontecer na prática.

 

Tulio Cerviño, CEO da Trackfy : "O futuro da gestão de paradas industriais não é apenas digital. Ele é inteligente, sensível e humano."

 

Bruno Cesar Vasconcellos, CEO da MX PLAN: "Acreditamos que a próxima fronteira da gestão de Paradas de Manutenção está na integração plena entre modelos digitais (BIM) e ferramentas de planejamento e controle operacional."

 

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